O delegado está preso desde março de 2024 e é acusado de participar do assassinato da vereadora do PSOL

O ministrodo Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou, nesta segunda-feira (10 de março de 2025), que a Polícia Federal (PF) apresente as transcrições das conversas realizadas por meio do aplicativo WhatsApp entre o delegado Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, e a vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018. A decisão atende a um pedido da defesa de Barbosa, que está preso desde março de 2024, acusado de ser um dos mentores do assassinato de Marielle e de seu motorista, Anderson Gomes.
Além das conversas com Marielle, Moraes também ordenou a inclusão de mensagens trocadas entre Rivaldo Barbosa e o general Richard Nunes, ex-secretário de Segurança do Rio de Janeiro durante a intervenção federal em 2018, bem como com os delegados Giniton Lages, Daniel Rosa e Brenno Carnevale. A defesa de Barbosa argumenta que essas mensagens demonstrariam que o delegado não teve envolvimento com os mandantes do crime e que mantinha uma relação de cordialidade com a vereadora, reforçando a tese de que ele não teria motivos para planejar o assassinato.
A decisão de Moraes ocorre no âmbito da ação penal que investiga os responsáveis pelo duplo homicídio, que tramita em sua fase final no STF. Rivaldo Barbosa, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, apontados como mandantes, e outros envolvidos estão sob escrutínio após a delação premiada de Ronnie Lessa, réu confesso como executor do crime. Apesar de atender ao pedido da defesa para incluir as conversas, Moraes rejeitou outras solicitações, como o acesso ao inquérito da chamada “Abin Paralela” e a realização de um novo exame psiquiátrico de Lessa.
O caso Marielle Franco, que chocou o Brasil em 14 de março de 2018, segue sendo um dos mais emblemáticos da justiça brasileira, e a inclusão dessas conversas pode trazer novos elementos para a investigação que busca esclarecer definitivamente os responsáveis por sua morte e a de Anderson Gomes.